terça-feira, junho 16

De todo meu coração eu senti vontade de gritar e de berrar, para transformar meu sentimento em energia mecânica, para transformar pensamentos em realidade, e ver se de alguma maneira eu conseguiria mudar o passado.
Com o cérebro funcionando freneticamente preso em um loop torturante (a pedido do coração que sangrava desesperado - e que sangra ainda), para achar uma solução.
Solução.
"Eu não vou desistir." ele disse. Pela segunda vez.
E como um cataleptico tentando dizer que está vivo para as pessoas em seu funeral, eu pensei "Eu sei a solução! Eu sei!"

Sobre O Tempo e a Ausência:
Antes de qualquer coisa, o tempo me roubará da memória o seu cheiro. E depois a sua voz e seu jeito de falar que me são tão preciosos. Então vou perder irremediavelmente a capacidade de simular com a minha mente a sensação do toque tão intenso da sua pele na minha e do seu gosto. Talvez eu me esqueça algum dia do formato do seu corpo, mas isso certamente será num futuro muito distante. Então seus olhos. Quando eu não aguentar mais olhar para suas fotos com ela e nem reler masoquistamente a mensagem que você escreveu para ela, então será a vez de perder a capacidade de recordar do seu olhar. Na seqüência seu sorriso. E no momento seguinte eu vou começar a esquecer da sua alegria, da sua força, da sua intensidade, da sua presença, do seu abraço.
E nada mais vai restar, além da lembrança da lembrança de ter conhecido um moço que me deixou absurdamente feliz por quase dez meses, por que me mandava mensagens todos os dias, por que me queria por perto em todos os lugares que ele ia, por que me fazia saber que gostava de mim o tempo inteiro, por que ficava perto de mim, por que sua mera presença me faz rir e sorrir e esquecer de qualquer problema...